
No dia 30 de maio, o Ministério da Saúde anunciou o lançamento do programa “Agora Tem Especialistas”, que tem como principal objetivo agilizar o acesso da população a médicos especialistas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca aproveitar toda a infraestrutura de saúde do país — tanto pública quanto privada — para ampliar a capacidade de atendimento nas redes locais.
Durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, na manhã desta quarta-feira (25), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalhou as estratégias do novo programa, especialmente nas ações voltadas à Região Amazônica e ao estado do Pará.
Segundo Padilha, o Pará será fortemente beneficiado com a implementação de carretas de atendimento móvel e estruturas fluviais que possibilitarão consultas, exames e cirurgias em áreas de difícil acesso. Equipes médicas serão contratadas para apoiar diretamente municípios e estados na realização de procedimentos eletivos e diagnósticos.
Outro ponto destacado pelo ministro foi o envolvimento da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), que, embora atue principalmente em terras indígenas, também passará a operar fora dessas áreas, ampliando o alcance dos serviços especializados na região amazônica.
No estado do Pará, já estão previstas mais de 25 mil cirurgias eletivas dentro da primeira etapa do programa. “Essas cirurgias estão pactuadas e planejadas. Com o apoio de hospitais privados e instituições filantrópicas, vamos aumentar ainda mais essa oferta”, afirmou Padilha.
Setor privado e filantrópico como aliados
Em uma nova estratégia para desafogar a fila de espera por consultas e procedimentos no SUS, o governo federal anunciou que hospitais privados e entidades filantrópicas poderão compensar dívidas tributárias com a União através da oferta de atendimentos especializados à população.
Essa medida, regulamentada por portaria conjunta dos ministérios da Saúde e da Fazenda, permite que serviços realizados por essas instituições sejam convertidos em compensações fiscais, mesmo para aquelas que não possuem débitos. A proposta visa mobilizar o máximo da capacidade do setor para ampliar o atendimento em saúde no país.
Saúde e mudanças climáticas na pauta da COP 30
Ainda durante a entrevista, o ministro comentou sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública e como o Brasil tem se preparado para esses desafios. Entre as ações, Padilha destacou o desenvolvimento de um plano nacional para adaptar o sistema de saúde aos efeitos climáticos extremos, como enchentes e secas.
“Estamos lidando com realidades como as enchentes no Rio Grande do Sul, que destruíram unidades de saúde, e a seca severa na Amazônia. É necessário estruturar o sistema de saúde para responder a esses cenários”, explicou o ministro. Além disso, ele ressaltou o aumento de doenças transmitidas por vetores, como os mosquitos, como mais um fator que exige adaptação dos serviços de saúde.
A COP 30, que será realizada em Belém, também terá a saúde como um dos temas centrais, e o governo já está promovendo reformas em unidades básicas de saúde da cidade. Entre os investimentos, destaca-se o Hospital de Saúde da Mulher, elogiado pela ONU por sua estrutura e atendimento humanizado.
“O legado da COP 30 será não só ambiental, mas também de fortalecimento da saúde pública em Belém e em todo o Pará”, concluiu Padilha.

