Irã intensifica repressão interna após ataques de Israel, com foco na região curda

Pessoas caminham perto de um mural do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em meio ao conflito Irã-Israel, em Teerã, Irã, em 23 de junho de 2025

ISTAMBUL/BAGDÁ, 25 de junho – O governo iraniano tem intensificado a repressão interna após os ataques aéreos israelenses iniciados em 13 de junho. Autoridades e ativistas relatam prisões em massa, execuções e aumento da presença militar, especialmente na conturbada região curda.

Repressão generalizada e foco em segurança

Fontes de segurança iranianas afirmaram que o país está deixando de lado qualquer intenção de manter uma trégua com Israel para priorizar o controle interno. Unidades da Guarda Revolucionária e da milícia Basij foram colocadas em alerta, com patrulhas e bloqueios sendo montados em pontos estratégicos, especialmente nas regiões de maioria curda e balúchi.

Um alto funcionário da área de segurança informou que o regime está particularmente preocupado com possíveis ações de agentes israelenses, grupos separatistas étnicos e a Organização Mujahideen do Povo — movimento de oposição com histórico de ataques dentro do Irã.

Prisões e execuções

De acordo com o grupo de direitos humanos HRNA, pelo menos 705 pessoas foram detidas por motivos políticos ou de segurança desde o início do conflito. A maioria dos presos enfrenta acusações de espionagem para Israel. Três dessas pessoas, segundo a mídia estatal iraniana, foram executadas na cidade de Urmia, próxima à fronteira com a Turquia. A organização curdo-iraniana Hengaw afirmou que todos os executados eram curdos.

Ativistas locais relatam aumento da vigilância e intimidações. Um defensor dos direitos humanos em Teerã, que participou de protestos em 2022, disse que conhece dezenas de pessoas que foram presas ou advertidas recentemente. “Estamos extremamente cautelosos, pois há um medo real de que o governo use esse momento para justificar uma repressão mais dura”, afirmou.

Militarização nas fronteiras

Tropas foram deslocadas para as fronteiras com o Paquistão, Iraque e Azerbaijão, com o objetivo de evitar infiltração de supostos “elementos terroristas”, segundo uma das fontes do governo.

O Partido Democrático do Curdistão Iraniano (KDPI) afirmou que forças da Guarda Revolucionária estão realizando batidas de casa em casa em províncias curdas, inclusive com presença militar em escolas. A região também registra bloqueios de estradas e evacuação de áreas próximas a bases militares.

Controle e vigilância sobre a população curda

Ribaz Khalili, do KDPI, relatou que cidades como Kermanshah e Sanandaj viram reforços militares e aumento no policiamento. Já o Partido Vida Livre do Curdistão (PJAK) afirma que mais de 500 opositores foram detidos na região desde o início da ofensiva israelense. Postos de controle passaram a realizar revistas físicas e checagem de celulares e documentos.

Enquanto o governo intensifica o aparato de segurança, não há sinais concretos de uma revolta popular iminente, apesar do descontentamento crescente entre a população. Fontes ouvidas pela Reuters apontam que, embora muitos iranianos responsabilizem o governo pelas tensões que levaram aos ataques de Israel, o medo da repressão impede protestos em larga escala.

Os Ministérios do Interior e das Relações Exteriores do Irã não se pronunciaram sobre as denúncias até o momento.

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