Desaceleração da inflação no Brasil pode levar à revisão da política monetária, diz autoridade do governo

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 1º de julho (Reuters) – O secretário-executivo do Ministério da Fazenda disse nesta terça-feira que a desaceleração da inflação acumulada em doze meses em maio e junho deve abrir uma oportunidade para o Banco Central revisar a postura da política monetária.

“Reclamamos da inflação e deveríamos nos preocupar sempre com ela, mas ela começa a cair em maio e junho, o que nos permite rever a política monetária e conseguir juros menores no país”, disse o secretário Dario Durigan em evento no Rio de Janeiro.

Em decisão unânime no mês passado, o Banco Central do Brasil elevou sua taxa básica de juros para 15% , a maior desde julho de 2006, e anunciou uma pausa “muito prolongada”. O banco tem como meta a inflação em 3%, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual em qualquer direção.
Os preços ao consumidor na maior economia da América Latina subiram 5,32% nos doze meses até o final de maio, uma queda em relação à leitura anual de abril de 5,53%, de acordo com dados da agência de estatísticas IBGE.
Embora os dados da inflação de junho ainda não tenham sido divulgados, a última leitura do índice IPCA-15 mostrou que os preços ao consumidor ficaram em 5,27% no período de doze meses até meados de junho, caindo de 5,40%.
“As condições do Brasil são boas e em breve poderemos reverter o aumento das taxas de juros”, disse Durigan.
Em um evento separado na terça-feira, ele também reconheceu uma preocupação com a trajetória da dívida do país, mas disse que o governo precisa de tempo para implementar um ajuste fiscal gradual.
O Brasil viu sua dívida pública aumentar em 354,42 bilhões de reais (US$ 65,21 bilhões) no ano até maio, impulsionada principalmente pelas despesas com juros, que aumentaram em meio ao ciclo de aperto monetário do Banco Central para conter a inflação.
A expansão ocorre em um momento em que os mercados continuam céticos quanto ao cumprimento da meta de inflação nos próximos anos, dado o aumento contínuo dos gastos do governo.
Durigan disse que o governo continua comprometido em atingir o equilíbrio fiscal e está pronto para cumprir suas metas fiscais neste ano e no próximo se os legisladores aprovarem as propostas que ele apresentou ao Congresso.

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