
Após a Justiça determinar o uso da tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) intensificou sua fala em defesa do ex-presidente, com críticas incisivas à operação da PF e às medidas cautelares aplicadas.
Na sexta‑feira, 18 de julho, logo após a operação que incluiu busca e apreensão, proibição de comunicação com embaixadores e até restrição ao contato com o próprio filho Eduardo, Nikolas reagiu nas redes sociais:
“Busca e apreensão, tornozeleira, proibição de falar com embaixadores, diplomatas e até com o próprio filho Eduardo. Isso tudo um dia após Bolsonaro receber uma carta de apoio de Trump. Venezuela está com inveja”.
O deputado ainda destacou o contraste com o tratamento oferecido a Lula em prisão, afirmando que, embora o ex‑presidente petista tenha cumprido pena em três instâncias e concedido entrevistas de dentro da prisão, jamais foi obrigado a usar tornozeleira ou teve vetada sua comunicação.
No sábado, 20 de julho, em vídeo publicado no X, Ferreira questionou a proporcionalidade da punição. Ele sugeriu que a Justiça estaria exagerando:
“Me parece que no Brasil não tem mais nada mais importante para poder se combater, tipo, sei lá, crime organizado” .
A crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF) também foi contundente. Nikolas comentou sobre a condução das investigações ligadas aos atos de 8 de janeiro e ao uso do poder judicial. Ironizando, Nicolas aponta para a ausência de Bolsonaro no suposto golpe: “uma pessoa que tentou dar golpe lá dos EUA, em EAD, virtual”.
A reação do parlamentar se intensificou quando Bolsonaro exibiu a tornozeleira pela primeira vez, na segunda‑feira, 21 de julho, durante reunião com parlamentares na Câmara. Nikolas não poupou críticas, classificando a operação da PF de “censura”: ele lamentou que o ex‑presidente tenha sido proibido até de falar com diplomatas ou conceder entrevistas, reforçando a narrativa de que estavam “enforcando” Bolsonaro institucionalmente .
Em resumo, Nikolas Ferreira encabeçou o discurso oposicionista ao STF e à Polícia Federal adotando três eixos principais: primeiro, denunciou as restrições como abuso e censura; segundo, questionou a proporcionalidade das penas propostas; e terceiro, criou um contraste político-jurídico entre Bolsonaro e Lula para reforçar que há uma perseguição evidente. Suas falas nas redes sociais, na mídia e na Câmara formam um coro de apoio que se conecta diretamente à declaração de “regime de exceção” ventilada pela oposição.
O posicionamento de Nikolas Ferreira mostra como os efeitos simbólicos da tornozeleira — restrição, controle e censura — extrapolam o campo jurídico e se inserem intensamente na disputa política nacional, avivando a polarização em torno da figura de Bolsonaro e do papel das instituições democráticas no Brasil.

