Dólar cai e a Bolsa opera em forte alta no pregão de hoje, após o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, admitir a possibilidade de cortar os juros do país na reunião de setembro, ainda que sem se comprometer com a decisão. No Brasil, investidores também acompanham os desdobramentos da Lei Magnitsky sobre ações dos bancos.
O que está acontecendo
O dolár comercial recua 1,01%, para R$ 5,422, às 13h01. A moeda abriu o dia em leve alta, mas passou a cair pouco depois à espera da fala do presidente do Fed e vem ampliando as perdas após Powell apontar que há margem para reduzir os juros na próxima reunião, que será entre 16 e 17 de setembro. O dólar turismo, usado por quem viaja, também cai forte a 0,91%, cotado a R$ 5,621.
Já o Ibovespa, que abriu as negociações em alta, amplia os ganhos. Às 12h47, o principal índice acionário da Bolsa de Valores subia 2,16%, aos 137.417 pontos.
Ações de bancos avançam e recuperam parte das perdas provocadas pelo temor de uma escalada na crise entre Brasil e EUA com a Lei Magnitsky. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) e do Itaú (ITUB4) aparecem entre as mais negociadas, até o momento, com avanço de 3,25% e 2,56%. Os papéis do Bradesco (BBDC3) também sobem 2,51%, assim como Santander (SANB3), com alta de 2,69%, e BTG (BPAC3), avanço de 1,50%. No pior dia do ano na Bolsa, na terça-feira (19), o Ibovespa caiu 2,10% pressionado pelos bancos, que perderam quase R$ 42 bilhões em valor de mercado.
Powell sinaliza corte de juros, mas mantém inflação no radar. Durante aguardado discurso no simpósio de Jackson Hole, que reúne representantes de banco centrais de todo o mundo, o presidente do BC dos EUA afirmou reconheceu haver um caminho aberto para o corte das taxas pela primeira neste ano. Os juros dos EUA figuram entre 4,25% e 4,5% ao ano desde dezembro do ano passado.
Por que essa sinalização ajuda a Bolsa?
A sinalização de queda de juros nos EUA favorece a desvalorização do dólar e a alta da Bolsa no Brasil e em outros mercados emergentes. Como as aplicações de renda fixa no mercado norte-americano ficam menos atraentes se os juros básicos recuam, os grandes investidores passam a procurar boas alternativas em outros lugares do mundo, aceitando correr mais risco. Para comprar ações de empresas brasileiras na B3, esses investidores precisam trocar seus dólares por reais no mercado local, o que derruba as cotações da moeda americana. O mercado antecipa esses movimentos, por isso o dólar começa a perder valor diante do real e a Bolsa sobe antes de os juros efetivamente caírem nos EUA, apenas com a sinalização de que isso pode acontecer.
Para o Brasil, esse ambiente é positivo. Com a taxa de juros doméstica ainda em patamar elevado, a atratividade do diferencial para o investidor internacional aumenta. É claro que, no curto prazo, seguimos acompanhando o cenário político local, mas é inegável que a política monetária americana continua sendo um dos principais vetores para o fluxo de capital estrangeiro.Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos
Além do cenário inflacionário ainda resistente, o presidente do Fed também enfrenta pressões políticas. O comandante do Banco Central norte-americano é pressionado pela Casa Branca para o início de um ciclo de cortes das taxas de juros. As queixas lideradas por Trump consideram que as taxas no patamar atual dificultam o acesso ao crédito e prejudicam o desenvolvimento econômico.
Powell, porém, deixou claro que todas as decisões deles são pautadas pelos dados ecônomicos, diz analista. “É por isso que o mercado está reagindo como está. O corte em setembro já era esperado, mas o Powell está sendo um pouco mais dovish, ou seja, um pouco mais leve com relação a manter a atual taxa de juros do que o mercado esperava. Então, por ele estar sendo, entre aspas, mais leniente com o dólar fraco, é por isso que o dólar está caindo no mundo todo”, afirmou Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos.
A fala dele sugere que o Fed vê a inflação como potencialmente temporária e que os riscos para desaceleração do mercado de trabalho aumentaram e, com isso, pode ser apropriado um ajuste na política monetária. Quando ele fala isso, essa observação levou o mercado a entender que a gente deve ter um corte de juros na próxima reunião de setembro, tal qual já vinha sendo aguardado e precificado nas curvas de juros.William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
Bolsas de todo o mundo disparam
Bolsas de NY também sobem forte após o discurso do presidente do banco central dos EUA. O índice Dow Jones sobe 1,54%, movimento acompanhado pelo O S&P 500, com alta de 1,44%, e o Nasdaq, que avança 1,77%. As bolsas na Europa também passaram a operar em alta rumo ao fechamento da semana.
Bolsas na Ásia fecharam em alta à espera de sinalizações sobre o futuro da política monetária dos EUA. O índice japonês Nikkei subiu levemente 0,05%, no Japão, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,86%, na Coreia do Sul, e o Hang Seng subiu 0,93% em Hong Kong, Na China continental, o pregão foi de altas mais expressivas, de 1,45% do Xangai Composto e 1,49% do Shenzhen Composto. A exceção foi o Taiex, em Taiwan, que caiu 0,82%.

