O homem preso hoje por ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, tinha acesso a sistemas das secretarias de segurança e do Judiciário de diversos estados.
O que aconteceu
Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, 22, foi detido hoje em Olinda. Ele ganhava dinheiro vendendo acessos a informações sigilosas, por meio da invasão a sistemas das secretarias de segurança e do Judiciário de diversos estados, segundo o delegado Guilherme Caselli.
Suspeito comprava credenciais para acessar sistemas pelo Telegram. Na mesma rede social, Cayo Lucas utilizava uma conta para anunciar serviços criminosos. Junto com ele, a polícia também prendeu outro homem, identificado como Paulo Vinícius Oliveira, 21. Ele foi preso em flagrante por acessar indevidamente sistemas da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco.
Dupla vendia acesso à informação privada de outras pessoas por cerca R$ 30, segundo a polícia. “São pessoas que, de fato, têm um conhecimento elevado de informática, mas a gente não pode dizer que são hackers. São oportunistas, porque eles não fazem programação. A vulnerabilidade que eles buscam [nos sistemas], eles compram essa espécie de vulnerabilidade através de bancos de dados com login e senha”, afirmou o delegado.
Cayo também é investigado por exploração sexual de menores de 18 anos. A polícia apura se ele integra um grupo criminoso que, por meio de “desafios” na internet, promovia exploração sexual de crianças e adolescentes.
Polícia tenta entender motivação para Felca ter se tornado alvo de Cayo. De acordo com o delegado, há a possibilidade de isso ter ocorrido devido a uma suposta participação do suspeito com uma rede de exploração de menores na internet. “A investigação ainda está em curso, mas que, de fato, ele participe de uma organização, de uma estrutura, que tem um apelo, via rede Discord, de exploração sexual de crianças e adolescentes, através daqueles famigerados desafios. Através desses desafios, eles exploram sexualmente crianças e adolescentes. Mas, entenda, isso ainda está na fase embrionária”, ponderou o delegado.
Suspeitos sabiam que estavam sendo investigados. “No próprio computador [de Paulo], a gente viu o registro de pesquisa sobre o influenciador digital Felca, vimos conversas ali no WhatsApp que estavam abertas falando da atuação policial. Então, de fato, eles sabiam que eles estavam sendo investigados”, explicou.
Felca recebeu e-mails intimidatórios após publicar vídeo com acusações contra o influenciador Hytalo Santos. O conteúdo continha ameaças explícitas à sua vida, com os dizeres: “prepara pra morrer você vai pagar com a sua vida” e “você vai morrer se prepara por sua vida você corre risco e vai pagar com a vida”, além de imputações falsas de pedofilia.
O vídeo de Felca
Felca fez um vídeo sobre adultização e denunciou produtores de conteúdo. O vídeo de 50 minutos tem mais de 48 milhões de visualizações no Youtube. Nele, Felca denuncia alguns influenciadores e também cobra as plataformas que permitem a exposição e sexualização de menores — e monetizam os vídeos.
O influenciador Hytalo Santos é um dos alvos da denúncia no vídeo de Felca. Em seus vídeos para o canal do YouTube, Hytalo mostrava os menores se beijando, fazia perguntas como “já pulou a cerca?”, “já pegou mais de quatro na balada?” e “já sentiu vontade de ficar com pai, mãe, primo ou tio de um amigo?”.
Hytalo e o marido Israel foram presos no dia 15 de agosto em uma casa alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Juiz decretou prisão preventiva alegando “indícios de participação do indiciado” em crimes de tráfico de pessoas e exploração de trabalho infantil. Decreto ainda cita risco de obstruir a investigação.
Defesa do influenciador chamou prisão de “medida extrema”. Ao UOL, o advogado de Hytalo afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão, mas disse que vai tomar “todas as medidas judiciais cabíveis” para resguardar os direitos do influenciador.
Hytalo Santos é investigado desde 2024 pela exposição de adolescentes a conteúdos com conotação sexual para obter lucro. Ele também é suspeito de cometer crimes de tráfico humano e exploração sexual infantil. O MP afirmou que o vazamento de informações sigilosas sobre o caso prejudica a investigação.
O influenciador foi derrubado das redes sociais e proibido de contato com menores de 18 anos. A proibição aconteceu após pedido do MP da Paraíba, em uma ação civil pública.


