Mais um caso de racismo no futebol brasileiro no último final de semana. Desta vez, aconteceu na 4ª rodada da Taça FPF, no Paraná, enquanto Batel Guarapuava e Nacional-PR duelavam no último sábado (4). No caso, o volante Diego, do Batel, chamou o zagueiro do Nacional, Paulo Vitor (PV), de “macaco”. O caso ainda está sob investigação, mas Diego foi demitido
Aos 41 minutos do segundo tempo, o Batel conseguia a vitória e a classificação em cima do Nacional pelo placar de 1 a 0. Só que, ao fim da partida, o triunfo foi ofuscado pelo caso de racismo na partida. Durante uma disputa na área do time de Guarapuava, Diego xingou Paulo Vitor de “macaco”. Reagindo à ofensa, PV deu um soco no rosto de quem iniciou toda a confusão, mas acabou expulso da partida.
Indignado com a ofensa, o jogador do Nacional comunicou ao árbitro da partida o ocorrido, que logo deu início ao protocolo antirracista da FIFA com um gesto formando a letra “x” acima da cabeça. Com o rosto ensanguentado, Diego foi atendido por uma ambulância e saiu da partida.
O que Paulo Vitor do Nacional explicou?
O zagueiro do Nacional-PR, Paulo Vitor, também conhecido como PV, utilizou as redes sociais para se manifestar. Numa publicação, ele falou sobre o que aconteceu e como se sente em relação ao ocorrido:
“Por meio dessa foto quero deixar minha indignação com o ocorrido do último jogo que fui vítima de racismo, não sou a favor da violência mas parece q só assim eles sentem na pele. Quem é da cor vai entender minha reação, espero que a justiça seja feita e que casos como esse não só no futebol sejam resolvidos e não julgados como vitimismo ou algo do tipo. Agradeço ao @nacionalacpr_ por todo suporte e ajuda nesse momento e por todas a mensagens de apoio que venho recebendo. Fogo nos racistas #racismoécrime” (sic)
O que aconteceu com o volante do Batel?
Diego, volante do Batel, após ter, supostamente, cometido o crime de injúria racial contra Paulo Vitor, do Nacional, foi demitido do clube e não integra mais o elenco de profissionais. Em nota, a equipe de Guarapuava também se manifestou e reiterou o compromisso com o respeito, a igualdade e os direitos humanos:
“O Batel Guarapuava informa que, após apresentar-se às autoridades competente em relação à ocorrência registrada na partida de ontem, contra o Nacional, o atleta envolvido foi imediatamente desligado de suas atividades e não integra mais o elenco profissional do clube. O Batel reafirma seu compromisso com o respeito, a igualdade e os direitos humanos, repudiando veementemente qualquer forma de preconceito, racismo ou discriminação. O clube continuará colaborando integralmente com as autoridades para que os fatos sejam esclarecidos e as medidas legais cabíveis sejam devidamente aplicadas”.
O que a Federação Paranaense de Futebol falou?
Em nota publicada, a FPF também se manifestou sobre o ocorrido:
“Combater o racismo é um compromisso da Federação Paranaense de Futebol. Repudiamos o ocorrido na partida entre Batel x Nacional pela Taça FPF neste sábado (04), em Guarapuava.
Após uma situação de jogo que causou confusão na área, o zagueiro do Nacional acabou expulso por agressão contra um jogador do Batel, ao supostamente reagir a uma injúria racial, desferindo um soco no adversário.
O árbitro da partida, Diego Ruan Pacondes da Silva, seguiu o protocolo global antirracismo da FIFA, com o gesto característico dos braços cruzados, sinalizando o ocorrido, e a partida ficou parada por cerca de 18 minutos.
Racismo não!
A FPF mantém campanhas permanentes antirracismo nos estádios (com placas, cartazes e faixas), no site e redes sociais e lançou em 2005 um vídeo explicativo sobre o protocolo da FIFA contra o racismo. Também reiteramos nosso posicionamento contra a violência no futebol, dentro e fora dos gramados.
Os atos desse sábado serão encaminhados e julgados pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná”.
Com a classificação do Batel na competição, o clube segue vivo na disputa por uma vaga na Copa do Brasil de 2026 por meio do torneio.

