SÃO PAULO, 12 de novembro (Reuters) – O equilíbrio fiscal do Brasil se tornará uma prioridade máxima a partir de 2027, independentemente do resultado da eleição presidencial do ano que vem, disse à Reuters Alberto Ramos, chefe de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs.
Mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiga um quarto mandato não consecutivo , a política fiscal precisará mudar em relação à abordagem atual, que tem apresentado aumento da arrecadação juntamente com o aumento dos gastos.
“Um quarto mandato de Lula não pode repetir a gestão fiscal do seu terceiro mandato”, disse Ramos, alertando para uma possível volatilidade do mercado ou mesmo uma crise financeira.
As metas fiscais atuais do Brasil incluem um resultado primário zero para 2025 e um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual – o que significa que, no pior cenário, o governo poderia registrar um déficit de 0,25% este ano e ainda assim atingir sua meta.
No entanto, o Goldman Sachs estima que o Brasil precisa de um superávit primário acima de 2,5% do PIB para reverter sua trajetória crescente de endividamento. Ramos afirmou que um ajuste fiscal de 3 pontos percentuais do PIB ainda é necessário.
Dados do Banco Central mostram que a dívida pública bruta atingiu 78,1% do PIB em setembro, o maior nível desde novembro de 2021. Ao final do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, esse percentual era de 71,7%.
As projeções do Tesouro mostram que a dívida pública subirá para 84,2% do PIB até o final de 2028, antes de começar a diminuir. Ramos alertou que a estabilização da dívida em níveis elevados pode deixar o Brasil vulnerável a choques futuros.
Pesquisas recentes mostram Lula à frente na corrida presidencial de 2026. Ramos observou que os mercados podem se recuperar se um candidato da oposição ganhar força, mas enfatizou que os investidores reagem a políticas sólidas, não a ideologias.
Em relação à política monetária, o Goldman Sachs espera que o banco central comece a reduzir a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15% , em janeiro, embora Ramos veja uma possibilidade de adiamento para março ou depois, citando a atividade resiliente e os gastos em ano eleitoral.
Reportagem de Fabricio de Castro; Edição de Alexandra Hudson

