Lula sanciona lei que proíbe desconto automático em benefícios do INSS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (7) uma nova lei que proíbe qualquer tipo de desconto automático em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo aposentadorias e pensões. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e passa a valer em todo o país.

O que muda com a nova lei

A legislação revoga integralmente o trecho da Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social que permitia descontos automáticos, mesmo quando havia autorização prévia do beneficiário, para mensalidades de associações, sindicatos ou entidades de classe. A partir de agora, nenhuma dedução poderá ser feita diretamente na folha de pagamento do INSS sem um procedimento de autorização robusto.

Entre os principais pontos da medida estão:

  • ❌ Fim dos descontos automáticos em aposentadorias e pensões, inclusive com autorização prévia do beneficiário.

  • 🔍 Busca ativa pelo INSS para identificar beneficiários lesados por descontos irregulares.

  • 💰 Ressarcimento integral dos valores cobrados indevidamente por associações ou instituições financeiras, com prazo de até 30 dias para devolução após notificação.

  • 📲 Regras rígidas para empréstimos consignados, que agora só podem ser contratados com autenticação biométrica ou assinatura eletrônica qualificada, vedando acordos por telefone.

Por que a lei foi sancionada

A sanção ocorreu em meio a um grande escândalo de fraudes envolvendo descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Investigações de órgãos como a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram a atuação de esquemas que retiraram recursos de beneficiários sem o devido consentimento. Estima-se que essas irregularidades tenham causado prejuízo de cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Antes da nova lei, descontos eram permitidos mesmo com autorização do titular do benefício, o que abria espaço para práticas abusivas e fraudes. Com a revogação desse dispositivo, a legislação protege de forma mais ampla os segurados do INSS.

Como funciona a busca ativa e o ressarcimento

Com a nova lei em vigor, o INSS poderá identificar beneficiários que tiveram descontos irregulares com base em:

  • auditorias de órgãos públicos;

  • reclamações e denúncias;

  • ações judiciais;

  • pedidos de exclusão de descontos indevidos.

As entidades ou instituições responsáveis pelos descontos deverão restituir os valores ao beneficiário no prazo máximo de 30 dias. Caso não o façam, o próprio INSS efetua o ressarcimento e depois busca recuperar os recursos na Justiça.

Impactos sobre empréstimos consignados

Além de barrar descontos automáticos, a lei também altera as regras para empréstimos consignados, exigindo maiores garantias de que o segurado realmente pediu a contratação. A norma estabelece que:

  • a contratação deve ocorrer apenas após autenticação biométrica ou assinatura eletrônica qualificada;

  • não é mais permitido concluir operações por telefone;

  • após cada operação, o benefício fica bloqueado para novas contratações até que o beneficiário autorize novamente.

Repercussão e próximos passos

Especialistas em direito previdenciário avaliam que a nova lei representa um avanço na proteção dos direitos dos aposentados e pensionistas, reduzindo os riscos de fraudes e garantindo maior transparência nas relações entre beneficiários, associações e instituições financeiras. A medida também incentiva mecanismos de fiscalização e responsabilização mais efetivos.

O governo federal e o INSS também orientam os segurados a verificarem regularmente seus benefícios, especialmente pelo aplicativo Meu INSS ou canais de atendimento oficiais, para contestar eventuais descontos que considerem indevidos.

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