Medicamentos Olire e Lirux, produzidos com tecnologia nacional, prometem ampliar o acesso a tratamentos eficazes com custo reduzido e impacto positivo no controle do diabetes e da obesidade.

A farmacêutica EMS anunciou que deve lançar, em agosto de 2025, as primeiras canetas injetáveis produzidas no Brasil para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Com aprovação da Anvisa obtida em 2024, os produtos prometem chegar ao mercado com um custo entre 10% e 20% menor do que os medicamentos de referência atualmente disponíveis.
As novidades são dois medicamentos:
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Olire, indicado para controle da obesidade;
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Lirux, voltado ao tratamento do diabetes tipo 2.
Ambos utilizam liraglutida, princípio ativo presente nos medicamentos Saxenda e Victoza, da dinamarquesa Novo Nordisk. A substância atua imitando o hormônio GLP-1, responsável por induzir a sensação de saciedade e ajudar na regulação da glicose no sangue.
A EMS prevê fabricar cerca de 200 mil canetas nos primeiros meses de comercialização, com expectativa de atingir meio milhão de unidades em um ano. A produção ocorrerá na planta da empresa em Hortolândia (SP), primeira no Brasil dedicada à fabricação nacional de liraglutida e, futuramente, de semaglutida — cuja versão genérica está prevista para 2026, após expiração da patente.
Como os medicamentos funcionam
A liraglutida age como um análogo do GLP-1, um hormônio liberado pelo intestino em resposta à presença de alimentos. Esse mecanismo reduz o apetite e estimula a produção de insulina, contribuindo para o controle glicêmico e a perda de peso.
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Lirux (1,8 mg/dia) será indicado para adultos, adolescentes e crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2.
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Olire (até 3 mg/dia) será destinado a adultos e adolescentes a partir de 12 anos com obesidade, ou a adultos com sobrepeso associado a condições como diabetes, colesterol elevado ou hipertensão.
Em estudos clínicos, a liraglutida demonstrou promover uma redução de peso entre 4 kg e 6 kg, com parte dos pacientes alcançando de 5% a 10% de perda corporal. Também foram observadas melhorias em indicadores de risco cardiovascular.
Liraglutida vs. Semaglutida: qual a diferença?
Ambas as substâncias atuam sobre o mesmo hormônio (GLP-1), mas com diferenças relevantes:
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Liraglutida: aplicação diária, com perda média de até 10% do peso corporal.
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Semaglutida: aplicação semanal, com potencial de perda de até 15% a 17% do peso, além de impacto mais forte na redução do apetite.
A EMS já trabalha para disponibilizar sua versão com semaglutida em 2026, ampliando a oferta nacional de tratamentos para diabetes e obesidade com menor dependência de importações e preços mais competitivos.

