
Sessão durou cerca de 1 h 30 e foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, com a presença do ministro Luiz Fux e do procurador-geral Paulo Gonet; general preso voltou a chamar o ex-ajudante de ordens de “mentiroso”, enquanto Cid reiterou a entrega de dinheiro em “caixa de vinho”.
Como foi a audiência
Realizada na manhã desta terça-feira, 24 de junho, a acareação colocou frente a frente o tenente-coronel Mauro Cid e o general da reserva Walter Braga Netto, ambos réus na ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, sentou-se à cabeceira da sala de audiências do prédio dos gabinetes. O ministro Luiz Fux e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acompanharam os depoimentos.
Logística e segurança
Braga Netto, que cumpre prisão preventiva no Rio de Janeiro, chegou a Brasília com tornozeleira eletrônica, escolta da Polícia Federal e acompanhado de seu advogado. Ele entrou pela garagem do STF, não falou com a imprensa e retornou ao presídio logo após o término da sessão.
Ponto central de disputa
Durante aproximadamente 90 minutos, Moraes alternou perguntas para esclarecer duas contradições principais:
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Reunião de novembro de 2022. Cid sustenta que Braga Netto comandou um encontro para discutir “medidas operacionais” contra o resultado da eleição; o general nega.
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Entrega de dinheiro em espécie. Cid reafirmou ter recebido, dentro de uma caixa de vinho, valores repassados por Braga Netto para financiar atos antidemocráticos. O general rejeitou a versão e, segundo sua defesa, “chamou Cid de mentiroso” diante do ministro.
O que disseram as defesas
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José Luis Oliveira Lima, advogado de Braga Netto, declarou após a audiência que “Mauro Cid entrou em contradição diversas vezes” e que o general “reafirmou não ter repassado valores nem participado de qualquer trama golpista”.
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A defesa de Cid, por sua vez, sustentou que o tenente-coronel “mantém a mesma narrativa desde o início da colaboração premiada” e que apresentou elementos para corroborar a entrega do dinheiro.
Próximos passos
O ministro Alexandre de Moraes deve analisar as notas taquigráficas da sessão antes de decidir se haverá novas diligências ou se o processo seguirá para alegações finais. Ainda nesta tarde, estão previstas acareações entre o ex-ministro Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Freire Gomes, no mesmo inquérito.
Contexto – Cid e Braga Netto respondem por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros crimes ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023. O primeiro tornou-se delator da Procuradoria-Geral da República; o segundo nega envolvimento e, desde abril, está preso de forma preventiva por decisão do STF.

