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Jonivaldo Castro

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"Campeão do século", Givanildo afirma ser alvo de preconceito, diz ter ganância por títulos e rechaça rótulo de ultrapassado
Aos 69 anos, técnico é o maior detentor de estaduais de 2001 para cá, à frente de Luxemburgo, Mano e Muricy. Pernambucano lamenta poucas oportunidades no Sul e Sudeste: "Discriminação"
Givanildo Oliveira recebeu a reportagem no hotel onde está hospedado em Belém (Foto: Diego Feitosa/TV Liberal)

Por Jorge Sauma e Pedro Cruz, de Belém (PA)


12/04/2018 11h27  Atualizado há menos de 1 minut


 


A gana de vencer faz de Givanildo Oliveira uma lenda do futebol brasileiro. São 69 anos de idade, mas mais de 50 dentro do esporte. Ex-meia com passagem pela Seleção Brasileira, a transição para a carreira de técnico durou apenas três dias. Pendurou as chuteiras num domingo e, na quarta-feira, retornava a campo para comandar o primeiro treino na nova função que escolheu e vem executando com competência. Atualmente no comando do Clube do Remo, Giva se tornou no último final de semana o maior campeão de estaduais do século, à frente de renomados companheiros de profissão, como Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Mano Menezes. Em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com e SporTV, o “professor” falou sobre discriminação na profissão e garantiu: ainda cabem mais troféus na prateleira.



– Primeiro, o segredo é gostar do que faz, e eu gosto. É uma coisa desde quando eu era jogador e continuou quando parei de jogar. E até nessa parte eu sou diferente: eu parei de ser jogador num domingo e na quarta-feira eu já era treinador. Daí segui a carreira que, graças a Deus, foi de títulos. Agora, com a idade que tenho, muita gente acha que é a hora de parar. Para mim, não é, porque eu tenho uma ganância de ganhar títulos, tenho ganância de trabalhar. O dia que eu achar que não dá mais, eu vou parar – resumiu o técnico pernambucano, natural de Olinda.


“Os números não mentem e vocês da imprensa usam muito isso. Então se estou à frente de todo mundo (outros técnicos) nesses dez anos, é mais uma motivação para mim, para continuar trabalhando”, Givanildo Oliveira


Apesar extenso e vitorioso currículo, o técnico se ressente de não ter recebido muitas oportunidades em clubes das regiões Sul e Sudeste do país. Apenas seis das 23 agremiações que treinou eram destas regiões. A grande maioria dos trabalhos ocorreu no Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O motivo Givanildo não sabe afirmar, mas tem uma hipótese.


– Você tocou em um assunto agora que eu convivo com ele. Eu não posso te dizer que não tenho (vontade de trabalhar no Sul e Sudeste), porque já pensou se acontece um convite? Agora eu sinto, eu acho, que não vai acontecer. Trabalhei no América-MG e foram vários títulos. Campeão da Série C, campeão da Série B, campeão mineiro em cima de Atlético-MG e Cruzeiro, e nunca recebi nenhum convite nem do Atlético-MG nem do Cruzeiro. Essa é uma coisa que eu vou falar, que me desculpem quem não quer aceitar, mas existe uma discriminação muito grande. Estou falando com você aqui no Norte, do Nordeste. Porque o pessoal do lado de lá (Sul e Sudeste) têm essa coisa de discriminação. Com jogador, graças a Deus, não têm. Porque vários jogadores saíram daqui e do Nordeste para ser até da seleção, como eu. Eu jogava no Santa Cruz quando fui convocado. Agora, da parte de treinador, tem uma discriminação grande. Por quê? Eu não sei. Eu gostaria até que você perguntasse a alguém de lá (risos) pra saber, porque eu não sei. Não entendo isso. Mas agora eu não estou muito preocupado com isso, não – contou Giva.



Título com o Remo no último domingo foi o 9º estadual de Givanildo no século XXI (Foto: Fábio Will/Ascom Remo)

Dos mais de 20 títulos que acumula em sua carreira, entre estaduais, regionais e nacionais, Givanildo não consegue apontar apenas um como o mais marcante. O importante para o treinador é continuar vencendo, para provar que, apesar da idade, não está ultrapassado.


– É difícil dizer. Pelo América-MG teve título brasileiro, assim como teve aqui pelo Paysandu, teve a Copa dos Campeões que também foi muito importante. Lá em Recife também já fui campeão de Série B. Foram vários. Você não pode diferenciar. Esse título agora, pelo Remo, foi de uma importância grande, pelo momento, por tudo que estava cercando a minha vinda para cá. Teve gente que falou que eu já estava com uma idade avançada. Tudo isso marca. Para mim, agora que não tenho de cabeça todos os títulos que ganhei, diria que todos são importantes – ressaltou.


Confira outros trechos da entrevista com Givanildo


Início vitorioso no Remo “Eu vim para o Remo primeiro porque eu gosto de trabalhar, e eu estava parado a cinco meses. Aceitei o desafio, tenho muitos amigos aqui e uma das coisas que me fez vir para o Remo é que estão pagando em dia, que é outra tristeza do futebol. Então vim. Felizmente, deu certo. Essa situação de condições de trabalho é muito complicado, principalmente para mim. Às vezes você vai para um clube que não CT, por exemplo. Hoje nós estamos sofrendo, não tem campo para treinar”.


Experiências em Série C do Brasileiro “Eu disputei duas Série C. Uma pelo América-MG, fui campeão, e outra pelo Santa Cruz, em que não conseguimos subir. A Série C melhorou muito porque agora não é mais aquela que tinham quatro clubes numa chave. Agora você tem 18 jogos garantidos. E daí, se você tiver um comportamento bom, você pode subir, com certeza. É isso que a gente pretende. As viagens são difíceis, principalmente do lado de cá, que são longas; têm os campos. E eu sei por que eu disputei duas e vi como é. É difícil, mas a gente tem sim condições de subir”.


Objetivo da temporada “Eu claro que queria ser campeão estadual, e fui. A repercussão para mim, como treinador, foi muito grande, até pela minha idade. São três anos seguidos sendo campeão. Mas o meu pensamento maior é levar o Remo a uma Série B”.


Chegou com o Remo em baixa. O que mudou até o título? “Se eu for falar do último jogo, o Vinícius foi um gigante. Mas o que mudou foi o grupo. Eu não trabalho com um jogador só. Foi isso que mudou. Eu consegui puxar eles para mim, consegui mostrar a eles que eles tinham condições de ser campeão, de fazer bons jogos, de ganhar jogos, e eles entenderam isso”.


Comemoração do estadual “Eu já disse para eles: título a gente comemora depois que acaba o jogo, que foi no domingo, e no outro dia comemora à vontade. Já passou e, agora, acaba com isso. O que vem pela frente é outra história. Se eu ficar pensando no que passou, aí eu tô rico (risos), porque foram vários títulos, como jogador e treinador. Você não esquece, na verdade, mas agora o que vale é o presente”.

FONTE: globoesporte.globo.com

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