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Polícia

09/05/2018 ás 17h30

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Jonivaldo Castro

Mãe do Rio / PA

Alvo de bandidos, famílias de PMs mortos sofrem com medo e falta de amparo do Estado
Parente de policial militar assassinado perto de casa relata que mandante era vizinho e foi preso por tráfico de drogas. Família sofre com ameaças e falta de dinheiro.

Por G1 PA, Belém


 


A onda de violência que atinge Belém tem causado não apenas insegurança, mas deixado famílias sem entes queridos e muitos filhos sem pais. Em vários casos, as vítimas são policiais militares e a ordem para matá-los sai de dentro da prisão. Para os familiares fica a sensação de impunidade e insegurança. Somente em 2018, um ex-policial e 22 militares foram assassinados, em todo ano de 2017 esse número foi de 29 PMs mortos no Pará.



Onda de violência na Grande Belém já deixou 22 PMs e mais dezenas de civis mortos, somente em 2018. (Foto: Reprodução/Tv Liberal)


“Ele chegou do trabalho e estava fazendo um serviço doméstico em um terreno perto de casa quando chegou alguém. Ele estava de cócoras, essa pessoa pediu que ele virasse de costas e deu o primeiro tiro nas costas. Colocou a arma no pescoço dele e deu o segundo tiro. Esse pegou na femoral. O terceiro tiro foi no ombro e o quarto no peito, mas o que matou mesmo foi o do pescoço. Ele teve hemorragia interna”, lembra o parente de um policial militar assassinado em Belém este ano.


Em entrevista ao G1, o parente pediu para não ser identificado. Para a segurança dos familiares, algumas informações como local e data do crime foram suprimidas do texto. A reportagem também entrou em contato com a Polícia Militar e aguarda posicionamento sobre as denúncias que serão expostas abaixo.

Segundo a família, o PM era casado há 33 anos e nunca havia recebido ameaças de morte. Mas, alguns dias antes do crime, ele teria se envolvido em uma discussão com o homem que teria mandado matá-lo.

“O cara que mandou matar fez xixi na porta do terreno. Ele chamou atenção do cara, disse que respeitava o comércio de drogas, que sempre viu drogas jogadas no terreno, mas que não urinasse, pois ali tinham famílias. Nesse dia, o homem mandou ele pra longe e falou muitos palavrões”, relata o parente, que acredita ter sido essa uma das motivações do crime.

O crime devastou a vida da família.

“Primeiro encontrei ele de fralda no hospital, crivado de bala no lado esquerdo, sendo que ele saiu de casa bem, com vida. Depois tive que vestir ele com essa farda medíocre. Antes tive que reconhecer ele no IML. E um dos piores momentos é ver ele sendo enterrado”, desabafa o familiar.

 

O valor da vida


Famílias temem retaliações após morte do policial. (Foto: Reprodução/TV Liberal)


O suspeito de mandar matar o policial era vizinho da vítima, o executor teria sido contratado por ele e a ordem para executar o crime partido de dentro da prisão. “A ordem de matar saiu de dentro da cadeia. Mandaram matar ele em troca de R$ 10 mil. O cara que recebeu a ordem aqui fora conhecia o policial e ele designou uma terceira pessoa para cometer o crime. Que foi essa pessoa que chegou ao encontro dele e o matou”, conta o parente da vítima.


O crime chocou o bairro, muitas pessoas viram a execução. No velório, todos comentavam sobre quem tinha mandado e quem tinha matado. “Essa pessoa [vizinho mandante] foi presa e, acredite, não foi pelo assassinato. Ela foi presa por tráfico de drogas”. O bandido que fez os disparos não foi encontrado.


“Eles chegaram a fugir no dia seguinte após o crime. Eu liguei pra Polícia e avisei que ele ia fugir. Ouvi que nada podiam fazer. Até que o mandante voltou pra Belém”.


 Ameaças


Além de toda dor e trauma da perda, a família do policial conta que sofre com o medo e a falta de apoio da corporação por quem o militar serviu por quase 30 anos. “A gente já sofreu várias ameaças”, desabafa.


Após uma entrevista concedida à imprensa local, um suspeito foi no mesmo carro que ajudou os assassinos a fugirem até a porta da casa da família. “Eu só consegui sair de casa nesse dia com a escolta da polícia”, lamenta.


Segundo os familiares, a viúva do PM está sobrevivendo com a solidariedade de parentes e amigos.


“O Estado bloqueou o salário dele mesmo com alvará para ela receber. O pecúlio de quase 30 anos de polícia foi de R$ 5 mil. É pra você ver quanto vale a vida de uma policial. Ela está brigando na Justiça para receber a pensão. Já ouvimos dizer que pode demorar até dois anos”.


“Fica a situação de revolta e nenhuma esperança de que a Justiça será feita. Nos sentimos desamparados. Os familiares do cara que está preso disse que se ele saísse da cadeia e fosse morto, eles iam matar um de nós”.


Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do G1 Pará no (91) 98814-3326.


 


 


 


 


 

FONTE: g1.globo.com

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