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21/09/2018 ás 11h12 - atualizada em 21/09/2018 ás 11h19

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Jonivaldo Castro

Mãe do Rio / PA

FHC escreve carta aberta pregando a união do centro contra os extremos e adverte para o risco de a crise piorar e de o barco naufragar Por: Reinaldo Azevedo
Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.”
FHC escreve carta aberta pregando a união do centro contra os extremos e adverte para o risco de a crise piorar e de o barco naufragar Por: Reinaldo Azevedo
FHC: ex-presidente faz grave alerta pra risco de agravamento da crise

Publicada: 21/09/2018 - 8:24


 


A carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pregando a união dos candidatos de centro contra a radicalização política é impecável sob qualquer aspecto que se queira desde que você seja um indivíduo que aposte na civilização, da democracia, na tolerância. Não é sem certa melancolia que a leio. Tudo ali está correto: diagnóstico, prognóstico, terapia. E, por isso mesmo, a proposta tenderá a ser recusada. A razão por que os atores se negarão a fazer o que presidente sugere é a mesma da carta. As elites políticas perderam a noção de conjunto e o sentido de país. É provável que eu divirja um tanto das causas que nos trouxeram  à beira do abismo.


A carta de FHC poderia ser resumida assim ”#elenaonemeletambem”. Ou por outra: nem Jair Bolsonaro, candidato do PSL, com uma agenda econômica ainda obscura e um cartilha comportamental obscurantista, nem Fernando Haddad, do PT, com seu apelo, vamos dizer assim, revisionista. É evidente o esforço para reler a história do petismo, incluindo o desastre que foi a gestão Dilma, que o candidato tenta jogar no colo do atual governo.


FHC não é ingênuo e não cai na armadilha de pôr em dúvida a legitimidade do eleito. Lá está escrito com todas as letras: “Em plena vigência do estado de direito nosso primeiro compromisso há de ser com a continuidade da democracia. Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.”


Vale como resposta ao petismo, que continua a considerar um tanto fraudulenta uma eleição sem Lula — a menos, claro!, que Haddad vença; a Bolsonaro, segundo quem só a sua vitória evidenciará a lisura das urnas, e também à frase infeliz do general Eduardo Villas-Boas, comandante do Exército, segundo quem o eleito tem desde já uma espécie de déficit de credibilidade.


Sensato, acho eu, FHC aponta: Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política.”


Entenda-se. Na sua carta, por óbvio, o “salvador da pátria” é Lula na pele de Haddad. O “demagogo” é Bolsonaro. Um ou outro e um e outro, segundo FHC, são sinônimos de aprofundamento da crise.


O ex-presidente lembra o quadro econômico aterrador que aguarda o próximo mandatário: “Nas escolhas que faremos o pano de fundo é sombrio. Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de treze milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática.


Sim, o retrato é esse mesmo. Será visto com os olhos dos erros do passado ou das soluções que nem erradas conseguem ser?


FHC propõe, assim, uma frente dos candidatos de centro em apoio àquele que, entre eles, reuniria melhores condições de vencer. Sim, o ex-presidente considera que esse nome é o tucano Geraldo Alckmin. Escreveu no Twitter: “Enviei carta aos eleitores pedindo sensatez e aliança dos candidatos não radicais. Quem veste o figurino é o Alckmin, só que não se convida para um encontro dizendo ‘só com este eu falo’”. Como se nota, expressa o seu entendimento, mas deixa em aberto até o nome do unificador.


Qual é a chance de isso acontecer? Acho que é inferior a zero. Como uma nação de Conselheiros Acácios, estamos esperando as consequências que virão depois.  FHC tem noção dessa dificuldade? Bem, meus caros, eu acho que sim. Sua carta é menos uma proposta objetiva, instrumental, com agenda e data definidas, do que um alerta para o que está em curso.


Escreve FHC: Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico. É preciso revalorizar a virtude da tolerância à política, requisito para que a democracia funcione. Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis. As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado.”


Para o ex-presidente, “não é de estagnação econômica, regressão política e social que o Brasil precisa. Somos todos responsáveis para evitar esse descaminho. É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo”.


Reitero: é pouco provável que haja essa união. O centro não se esfacelou por acaso. Há fatores que não estão contemplados na carta de FHC, como o peso da Lava Jato na desconstituição não da corrupção — já que isso, em si, é positivo —, mas da própria política. Lula só voltou a ser uma solução para amplas camadas, com parte de seus votos indo para Haddad, porque os digníssimos procuradores proclamaram: “Todos são podres”. Se é assim, por que não Lula? O antipetismo radical, por seu turno, encontrou resposta em quem se diz “fora do esquema”.


 

FONTE: www3.redetv.uol.com.br

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