Domínio do Comando Vermelho e Operação das Forças Armadas: O Cenário em Belém para a COP30

Enquanto Belém se prepara para sediar a COP30 em 2025, a presença e o domínio do Comando Vermelho (CV) na capital paraense e sua região metropolitana tornam-se um pano de fundo complexo para o evento. Relatos de moradores e estudos acadêmicos pintam um quadro de controle territorial pela facção, que impõe suas regras às comunidades.

O “Normal” Sob o Domínio do CV
Em bairros da Grande Belém, a rotina é marcada pela submissão aos “salves” – ordens da facção disseminadas, muitas vezes, por redes sociais. Os moradores adaptam sua vida, fechando comércios mais cedo ou evitando as ruas conforme as determinações. Um dos pilares do domínio é a cobrança de “taxas” coercitivas a comerciantes, sob ameaça de punições severas.

Controle Social e Queda de Crimes Violentos
Paradoxalmente, a facção impõe uma certa “ordem” local. Ela proíbe assaltos e brigas entre vizinhos, o que, segundo relatos e pesquisas, levou a uma queda drástica em roubos e pequenos crimes nas áreas sob seu controle. No entanto, essa “paz” é mantida através de um regime de medo, onde a desobediência às regras pode resultar em morte.

Expansão e Estratégia
O CV chegou a Belém por volta de 2014-2015, aliando-se e incorporando gangues locais. A capital paraense é um ponto estratégico para o tráfico de drogas, funcionando como um “nó” de distribuição para a região Amazônica. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o CV domina 57 municípios paraenses, sendo a facção mais presente no estado.

Operação das Forças Armadas (GLO)
Dias após a operação policial no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos, o presidente Lula decretou o emprego das Forças Armadas em Belém, entre 2 a 23 de novembro, para garantir a segurança da COP30. O governo do Pará afirma que a solicitação da GLO foi feita em setembro, antes da operação no Rio. A ação militar focará na proteção de infraestruturas críticas e nos locais do evento.

Preocupações com a Militarização
Entidades da sociedade civil já manifestaram preocupação com uma “militarização excessiva” durante a COP30, alertando para possíveis impactos nos direitos civis e na participação da sociedade civil no evento. Especialistas, no entanto, pedem cautela contra o alarmismo, lembrando que grandes eventos ocorreram no Rio, outra cidade com forte presença de facções, sem grandes incidentes.

O desafio para as autoridades será equilibrar a segurança necessária para um evento global com a complexa realidade do crime organizado entranhado no tecido social da cidade.

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