A Conitec, comissão do Ministério da Saúde, decidiu não incluir remédios à base de semaglutida (Ozempic e Wegovy) e liraglutida (Saxenda e Victoza) no SUS (Sistema Único de Saúde). A justificativa principal foi o alto custo das medicações.
O que aconteceu
Comissão debateu dois temas principais. Um deles tratava sobre a adoção de medicamentos à base de liraglutida para o tratamento de pessoas com obesidade e diabetes tipo 2. O outro, sobre a administração de semaglutida para pacientes com obesidade graus 2 e 3, sem diabetes, com idade a partir de 5 anos e com doença cardiovascular.
A Conitec assessora o ministério a definir incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS. Antes, os produtos devem ser submetidos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Canetas são importadas e têm custo elevado. Elas são do laboratório dinamarquês Novo Nordisk e são comercializadas pelas farmácias a partir de R$ 963, a depender do medicamento, dose e onde é comprada (e-commerce ou loja física) e pode chega a R$ 1.799.
Segundo relatório do Ministério da Saúde, o custo dos medicamentos seria de R$ 6,4 bilhões (semaglutida) e R$ 9,8 bilhões (liraglutida) em cinco anos. Esse foi o principal argumento para não incorporação deles no sistema público de saúde.
Farmacêutica disse em nota compreender que “desafios” impedem a oferta de tecnologias inovadoras. “A Novo Nordisk compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população em nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas.” O laboratório disse ainda reafirmar seu compromisso com o enfrentamento da obesidade no Brasil.
EMS lançou caneta emagrecedora no início de agosto. O Olire é um medicamento a base de liraglutida, assim como Saxenda e Victoza, e é o primeiro feito por uma farmacêutica brasileira. Os preços ainda são altos, mas ficam abaixo do valor dos concorrentes: varia de R$ 307 a R$ 760. O Ministério da Saúde anunciou, há duas semanas, que vai produzir canetas próprias em parceria com a própria EMS e a Fiocruz.
SUS oferece alternativas contra a obesidade. Atualmente, o sistema público disponibiliza abordagens como orientação alimentar, incentivo à atividade física e apoio psicológico, além de cirurgia bariátrica em casos específicos.
As canetas são aprovadas para uso no Brasil. Desde junho, é obrigatória a apresentação de prescrição médica nas farmácias para compra das chamadas canetas emagrecedoras —uma via da receita fica retida. A decisão da Anvisa veio após a popularização deste tipo de medicamento nas redes sociais e o uso para o emagrecimento puramente estético e sem acompanhamento médico adequado.

