
O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou negociações com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de eliminar tarifas sobre cerca de 70% a 80% das exportações argentinas para o mercado norte-americano. Em uma rodada de conversas ocorrida recentemente em Washington e Miami, ambos os líderes demonstraram interesse em formalizar uma espécie de acordo comercial preferencial.
Proposta em negociação
O acordo contemplaria a isenção tarifária para aproximadamente 100 categorias de produtos, incluindo itens agrícolas e industriais, excluindo apenas aço e alumínio, que permaneceriam sujeitos à sobretaxa de 50%, por razões de “segurança nacional” dos EUA. A expectativa é que esta medida traga significativa competitividade às exportações argentinas, impulsionando receita e geração de empregos no país vizinho.
Milei destacou que Argentina já implementou nove das 16 exigências estabelecidas pela administração Trump e se compromete a adequar 100% da legislação argentina às normas comerciais definidas pelo governo americano . O chanceler argentino, Gerardo Werthein, encontrou-se com representantes do Departamento de Comércio dos EUA, incluindo o secretário Howard Lutnick, para reduzir barreiras e consolidar o compromisso tarifário.
Alinhamento político e diplomático
A aproximação entre Milei e Trump não se restringiu a negociações econômicas. Durante o evento “American Patriots Gala”, em Mar‑a‑Lago, os dois líderes celebraram os valores compartilhados, como a defesa do livre‑mercado e a crítica a políticas progressistas. Trump chamou Milei de “aliado estratégico” e expressou disposição para avaliar o acordo, embora tenha mantido reservas sobre a concessão de tarifas amplas .
Benefícios esperados
O pacto tarifário pode gerar impacto expressivo na balança comercial argentina, ainda mais após a política de Trump de aplicar tarifas de até 10% sobre importações de países considerados “injustos”. Apesar disso, Argentina foi favorecida com alíquotas reduzidas, reforçando a tese de aproximação econômica.
Se implementado, o acordo promete facilitar o acesso argentino ao mercado, aumentar a competitividade de seus produtos e estimular o crescimento econômico, especialmente nos setores de agronegócio e indústria, além de atrair mais investimentos estrangeiros.
Perspectivas e riscos
Apesar do otimismo oficial, analistas alertam para os desafios estruturais internos argentinos. A província da Terra do Fogo, por exemplo, enfrenta inquietação social devido à redução de tarifas e mudanças econômicas promovidas por Milei, que ameaçam empregos locais e despertam protestos.
Internacionalmente, alguns parceiros tradicionais do Brasil, Canadá e México criticaram os novos acordos tarifários, que configuram uma ruptura na cooperação regional. Já o Fundo Monetário Internacional trabalha em paralelo com a Argentina no patrocínio de uma linha de crédito de US$ 20 bilhões, dependente do alinhamento comercial com os EUA .
O acordo de tarifa zero em negociação representa uma virada estratégica na política comercial da Argentina. Se oficializado, poderá trazer ganhos reais ao setor exportador e sinalizar um modelo de cooperação ideológica e econômica entre Milei e Trump. No entanto, sua viabilidade dependerá da resolução de pontos complexos como a renegociação dentro do Mercosul, o apoio político doméstico e a conformidade com a legislação comercial internacional.

