Internet na Rússia entra em colapso em dezenas de regiões com apagões contínuos

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Nos últimos meses, a Rússia tem enfrentado um colapso generalizado nos serviços de internet móvel e fixa, afetando dezenas de regiões por períodos prolongados. As autoridades justificam a medida como parte de sua estratégia defensiva contra ataques ucranianos com drones, mas a extensão dos apagões e os danos aos serviços essenciais acenderam o alerta internacional.

Motivos oficiais e contexto militar

Desde maio de 2025, o governo russo vem implementando cortes deliberados no acesso à internet, justificando que o bloqueio das redes móveis impediria o uso de sinais civis para controlar drones enviados pela Ucrânia. Na véspera das comemorações do Dia da Vitória, em 9 de maio, autoridades já haviam restringido o uso de rede móvel em Moscou e outras regiões onde ocorreriam eventos com a presença de líderes estrangeiros.

A ação se intensificou com a operação ucraniana chamada “Spiderweb”, quando drones penetraram profundamente no território russo, atingindo bases aéreas e instalações estratégicas. Essa ofensiva acelerou a adoção dos apagões como suposta medida preventiva.

Escala e frequência dos cortes na rede

Dados de monitoramento apontam que em junho houve mais de 650 apagões intencionais registrados em diversas regiões do país, superando em muito os números de meses anteriores. O grupo ativista Na Svyazi identificou interrupções confirmadas em mais de 60 das 80 regiões da Rússia.

Em junho, apenas entre os dias 1º e 18, foram relatados 161 cortes, contra 39 em maio — um salto que evidencia a intensificação da prática .

Impacto sobre a rotina dos cidadãos

Os apagões têm afetado profundamente serviços básicos como transporte público, pagamentos eletrônicos, aplicativos bancários e comércio online. Em várias cidades como Nizhny Novgorod, Saratov e Tambov, taxistas passaram a aceitar apenas dinheiro e sistemas de caixas eletrônicos ficaram fora de operação devido à falha na internet .

Em regiões remotas, como Omsk, moradores relatam necessidade de sair às ruas para encontrar sinal móvel, e pagamentos por cartão acabaram interrompidos por dias. Profissionais que dependem de conexão online, como psicólogos e especialistas em marketing digital, enfrentam dificuldades para atender clientes e cumprir prazos .

Transparência questionável e padrão irregular

Apesar da justificativa oficial de combater drones, muitos dos cortes ocorreram em regiões distantes de zonas de conflito, sem registro de ataques ucranianos. Em pelo menos 26 regiões afetadas, não houve qualquer conflito registrado na época das interrupções.

O padrão das interrupções parece arbitrário. Algumas áreas críticas experimentaram menos quedas de rede do que regiões sem qualquer instalação militar relevante — sugerindo motivações além da defesa aérea .

Alternativas e resposta institucional

Para aliviar os impactos, autoridades regionais passaram a instalar redes de Wi-Fi público gratuitas em algumas cidades. O Ministério do Desenvolvimento Digital até exibiu mapas interativos indicando pontos de acesso disponíveis. Ainda assim, a falta de comunicação em massa prejudica o uso desses pontos.

Grupos ativistas responsáveis pelo monitoramento dos apagões defendem que a medida serve também ao controle social e à censura digital. Eles apontam que o bloqueio de VPNs e de mensageiros estrangeiros contribui para restringir o acesso a informações independentes .

Consequências e reflexões

Analistas afirmam que, apesar de os impostos sobre drones terem justificativa militar, os efeitos dos apagões vão muito além. Ao suspender telecomunicações em regiões longínquas, as autoridades afetam o cotidiano e provocam prejuízos econômicos, logísticos e psicológicos .

O impacto também atinge serviços de saúde e segurança. Em áreas rurais, farmácias e postos de atendimento perdem acesso a sistemas informatizados; em locais com risco de bombardeio, alertas automáticos não chegam à população .

Ao mesmo tempo, essas medidas reforçam o controle do Estado sobre o ambiente digital — bloqueios sistemáticos de sites estrangeiros e serviços de mensageria indicam uma operação conjunta de censura e domínio da informação nacional .


Conclusão

O extenso colapso nos serviços de internet na Rússia revela uma medida extrema adotada com justificativa militar, mas que gera desdobramentos muito mais amplos. Afetando desde pagadores em lojas até profissionais digitais e turistas, os apagões expõem um país mergulhado em controle digital e autoritarismo. Em vez de fortalecer a segurança nacional, as restrições comprometem o acesso à informação, a economia cívica e os direitos básicos da população.

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