
Em um movimento estratégico para reverter sua imagem pública, o Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu, em agosto de 2025, a segunda edição do evento “Leis e Likes: O Papel do Judiciário e a Influência Digital”. A iniciativa reuniu 26 influenciadores digitais de diferentes perfis e regiões do Brasil para uma imersão na sede da Corte, em Brasília. O objetivo declarado foi aproximar o Judiciário da sociedade, especialmente do público jovem, e promover um entendimento mais claro sobre o papel do STF na democracia brasileira.
Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer os bastidores do STF, acompanhar sessões plenárias e participar de rodas de conversa com ministros como Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Os temas abordados incluíram liberdade de expressão, combate à desinformação e o uso responsável das redes sociais.
No entanto, a ação do STF gerou controvérsias. Críticos apontaram que a Corte estaria utilizando influenciadores para “limpar sua imagem” em meio a críticas internas e externas. Uma pesquisa do Datafolha revelou que a avaliação negativa do STF aumentou, com 36% dos entrevistados considerando o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo. Além disso, a Corte enfrenta sanções do governo dos Estados Unidos e críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar das intenções declaradas, a estratégia de utilizar influenciadores digitais para melhorar a imagem do STF levanta questões sobre a eficácia e a ética dessa abordagem. Especialistas em comunicação pública alertam que ações de “marketing institucional” podem ser percebidas como tentativas de manipulação da opinião pública, especialmente quando envolvem figuras públicas com grande alcance nas redes sociais.
Além disso, a escolha dos influenciadores convidados também foi alvo de críticas. A maioria dos participantes possui perfis alinhados com ideologias progressistas, o que gerou a percepção de que o STF estaria buscando apoio em um segmento específico da sociedade, em detrimento de uma representação mais ampla e plural.
Em conclusão, a iniciativa do STF de envolver influenciadores digitais na promoção de sua imagem pública reflete uma tentativa de modernizar a comunicação da Corte e aproximá-la da sociedade. No entanto, a eficácia dessa estratégia dependerá da transparência das ações, da diversidade dos interlocutores e da capacidade de engajar diferentes segmentos da população de forma autêntica e respeitosa.

